Operação digital dos pequenos negócios está concentrada em uma só pessoa, aponta pesquisa do Sebrae

Operação digital dos pequenos negócios está concentrada em uma só pessoa, aponta pesquisa do Sebrae


Postada em : 30/07/2026

Embora a presença na internet já seja realidade para os pequenos negócios, o principal obstáculo ao crescimento sustentável deixou de ser a adesão ao mercado digital e passou a ser a superação de gargalos operacionais. É o que aponta a pesquisa inédita Radar Mercado Digital 2026, feita pelo Sebrae em parceria com o E-Commerce Brasil e apresentada nesta quarta-feira (29), durante o Fórum E-Commerce Brasil, no Distrito Anhembi, em São Paulo (SP).

O estudo ouviu 3.081 empresários de todas as regiões do país e revelou que, na maioria dos casos, a operação de e-commerce dos pequenos negócios — formados por micro e pequenas empresas (MPE) e por microempreendedores individuais (MEI) — é tocada por uma só pessoa (59,2%).

Entre os MEI, esse índice sobe para 76,2%; cai para 42,2% nas microempresas (ME) e chega a 28,9% quando se consideram apenas as empresas de pequeno porte (EPP). Somados, os três segmentos reúnem 24 milhões de negócios e respondem por mais de 90% dos CNPJs ativos no Brasil.

Os dados também indicam que há espaço para avançar na atuação em marketplaces, que podem funcionar como canal complementar. Apenas 28,1% dos entrevistados que vendem online usam essas plataformas, e a maioria (78,8%) trabalha com apenas um ou dois canais. Entre os que utilizam marketplaces, 72,6% obtêm até 40% da receita digital por esse meio.

Apresentador do estudo no Fórum E-Commerce Brasil, o gerente adjunto da Unidade de Acesso a Mercados do Sebrae Nacional, Ivan Tonet, resumiu o desafio: “O empreendedor que faz tudo sozinho não dá conta de fazer a operação no digital bem-feita. Queremos preparar as MPE para vender mais e melhor e em diferentes canais”, afirmou.

Para o CEO da E-Commerce Brasil, Bruno Pati, o ponto central não é apenas ampliar investimentos, mas fortalecer a gestão da operação digital. Ele aponta oportunidade de crescimento por meio de capacitações práticas e da adoção de processos simples, como gestão de catálogo, padronização do atendimento, acompanhamento de indicadores, estratégias de recompra, calendário promocional e rotinas de divulgação.

“Pequenas melhorias operacionais, quando executadas de forma consistente, podem aumentar a produtividade, elevar a conversão e criar uma base sólida para escalar as vendas online sem exigir grandes investimentos iniciais”, avaliou Bruno Pati.

A pesquisa mostra ainda que o comércio digital não se restringe a produtos físicos. No universo analisado, o setor de Serviços representou 43,5% dos pequenos negócios que vendem online, percentual próximo ao de Comércio e Varejo (42,8%). Segmentos como turismo, consultoria, educação, saúde e eventos evidenciam a amplitude e a diversidade do empreendedorismo digital no país.

Fonte: Com informações de Agência Sebrae